O Observatório de Aves da Mantiqueira (OAMa) tem suas áreas de estudo na Mata Atlântica brasileira, um dos locais mais biodiversos e ameaçados do mundo. Mais especificamente, estamos na  Serra da Mantiqueira, com áreas de estudo em desenvolvimento nos três estados que abrigam essa cadeia de montanhas: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Nossa sede

Nossa sede, a Estação de Pesquisa Refúgio Boa Vista, está imersa em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) no município de Bocaina de Minas, MG. A área tem histórico forte no ativismo ambiental. O proprietário da reserva, Lino De Sá Pereira, desenvolveu diversos projetos e ações para a conscientização ambiental na região, incluindo o projeto de “Pró-Mantiqueira” para a proteção da biodiversidade da região. Lino também é um plantador de florestas. Em seus mais de 40 anos de residência na Mantiqueira, Lino plantou mais de 2.000 árvores, incluindo as muitas araucárias já de grande porte encontradas na RPPN. Hoje Lino e Nívea, sua companheira, são apoiadores do OAMa e compartilham sua floresta protegida com a nossa pesquisa e trabalho diário.

A Estação de Pesquisa Refúgio Boa Vista é o nosso local diário de trabalho, onde fica nosso escritório, e é também onde podemos receber e hospedar visitantes, grupos de observadores de aves, pesquisadores, colaboradores e voluntários. Para saber mais sobre como visitar, data disponíveis e atividades, você pode escrever para contato@oama.eco.br.

Nossas áreas de monitoramento e pesquisa

O OAMa tem como objetivo amostrar e monitorar a comunidade de aves ao longo de diferentes pontos da Mantiqueira.

Começamos com uma área de mata secundária em propriedade particular, sítio Mata do Sauá, na Fumaça, Resende, RJ. No sítio Mata do Sauá fazemos o monitoramento das aves com o anilhamento e ponto de escuta mensalmente. A área abriga matas ciliares,  fragmentos de florestas secundárias em expansão, sistemas agroflorestais, apiário, pecuária e criação de outros animais para consumo familiar. O sítio está a cerca de 1.000 metros de altitude, é conectado ao Parque Estadual da Pedra Selada, e também divide borda com uma floresta de eucalíptos e com pastos abertos para criação de gado. Inserido na região rural do Rio de Janeiro, a primeira área de estudo do OAMa é circundada por uma paisagem de mosaico de florestas e pastos. A diversidade de habitats, sob diferentes níveis de interferência antrópica, traz grande variedade de espécies de aves e excelente oportunidade de estudos ecológicos.

Com a nova sede do OAMa na Estação de Pesquisa Refúgio Boa Vista, estamos em breve (aguardando licenças) iniciando uma segunda área de monitoramento das aves com anilhamento e pontos de escuta. A área será nas matas da RPPN Fazenda Boa Vista, uma floresta com cerca de 40 anos de reflorestamento. Também circundada por um mosaico de florestas e pastos, a área está a cerca de 1.200 metros de altitude e tem vista para a Pedra Selada, ícone do Parque Estadual da Pedra Selada, e para o Pico das Agulhas Negras, ponto mais alto do Parque Nacional do Itatiaia.

Temos também projetos em desenvolvimento para monitoramento sazonal em áreas mais distantes de nossa sede. A primeira área de monitoramento sazonal no OAMa fica em São Bento do Sapucaí, SP, e vem da parceria com a proprietária do sítio e observadora de aves super entusiasta da pesquisa e conservação, Maria Luiza Pedrosa. O projeto ainda está em seus preparativos, e o início do monitoramento é previsto para o próximo verão.

  

 Mata Atlântica

A composição da Mata Atlântica é originalmente diversa, sendo composta por um mosaico de vegetações definidas como florestas ombrófilas densa, aberta e mista; florestas estacionais decidual e semidecidual; campos de altitude, mangues e restingas. Sua distribuição em território brasileiro se estende desde o extremo Nordeste, no Rio Grande do Norte, até o Sul do país, no Rio Grande do Sul. Estima-se que sua flora inclua cerca de 20.000 espécies vegetais, dentre estas, diversas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção.

Floresta de Mata Atlântica no Parque Nacional do Itatiaia

A fauna da Mata Atlântica é igualmente rica, com quase 1000 espécies de aves, quase 300 espécies de mamíferos, incluindo 24 de primatas, mais de 350 espécies de anfíbios e 200 de répteis.

Atualmente, a Mata Atlântica tem apenas cerca de 15% de sua cobertura original, e as áreas remanescentes são majoritariamente formadas por pequenos fragmentos e florestas secundárias.

A maior ameaça atual a este bioma é a grande densidade populacional. Mais de 70% da população brasileira vive no aproximadamente 13% de terrítório brasileiro sob domínio de Mata Atlântica. Por sua concentrada riqueza de espécies e intenso nível de ameaça, a Mata Atlântica é altamente prioritária para a conservação da biodiversidade mundial.

 

A Serra da Mantiqueira

Matas e montanhas no Mosaico da Mantiqueira

De origem tupi, Mantiqueira significa “gota de chuva”, da junção dos termos amana (chuva) e tykyra (gota). Seu nome reflete sua importância para o sistema aquífero da região. Localizada entre os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, seus riachos formam o rio Jaguari, o rio Paraíba do Sul e o rio Grande, de grande importância no abastecimento de aguá potável e de energia para as populosas cidades do Sudeste.

O maciço da Serra da Mantiqueira tem cerca de 500 quilômetros de extensão, e seu ponto mais alto, localizado na Pedra de Mina, entre os estados de Minas e São Paulo, atinge 2.798 metros. Por conta de sua altitude, a temperatura pode atingir graus negativos durante o inverno; já durante o verão, a intensa e quase constante preciptação representa a etimologia da palavra Mantiqueira.